quinta-feira, 4 de março de 2010

Grécia Vive o Mesmo Drama da América Latina dos Anos 80 e 90

A possibilidade de calote na Grécia mostra que a Europa está muito mais perto da América Latina do que se imaginava. Por Francine De Lorenzo

Nas últimas semanas, os meios empresariais tem ficado de orelha em pé, devido ao fantasma que ronda a economia mundial, o "fogo grego", como chamam algumas das maiores autoridades em finanças, que fazem referências ao conhecido clima quente do país e também, e principalmente, ao risco de explosão de sua economia, por uma série de razões relacionadas a erros de gestão, mesmo fazendo parte de um grupo muito bem organizado que é a Comunidade Européia. Conforme o artigo abaixo, durante muito tempo, a América Latina foi discriminada, principalmente pelos europeus, devido a golpes de estado, erros de gerenciamento da economia, etc.. Mas, agora, não só a Comunidade Européia, mas a comunidade internacional está de cabelo em pé, porque a crise que se abateu sobre a Grécia, já se insinua para os outros países do grupo europeu chamado PIIGS (Portugal, Irlanda, Islândia, Grécia e Espanha - em Inglês), que, para fazerem parte da Comunidade Européia foram ajudados pelos "top's" da mesma, que pegaram esses países em crise, endividados e os deixaram, em pé de igualdade, para que o Euro não tivesse problemas de lastro. Só que eles não aprenderam muito bem, pois eles são o lado mais fraco dessa corda, não se precuparam em controlar, principalmente os gastos públicos quando podiam fazê-lo, e estão numa condição, que um "ventinho de crise" que se volte na direção deles, caso os toque, vai ter o efeito devastador de um furacão, e o pior, carregaria junto a C.E. e como a crise de 2008, respinga por todo o mundo, prejudicando aqueles que estão despreparados.

Apesar de todos os problemas que o Brasil tem enfrentado, seus fundamentos econômicos têm sido firmemente controlados, e nesse momento de "medo da crise", são reconhecidos por toda a comunidade econômica internacional, que vê em Brasil, China e India, países com grande potencial de resistência à crise, que no entender de todos, já começou, com esses problemas estruturais, pelos quais a Grécia está passando e que pode se alastrar por todo o mundo.

No entender de vários especialistas, o Brasil se encontra preparado para enfrentar a crise, seja de onde vier.

Espero que a leitura seja proveitosa. Até mais!!

Pouco mais de duas décadas atrás, para diferenciar um país da América Latina de um europeu bastava olhar suas contas. Detentores de dívidas exorbitantes, os países latinos buscavam ajuda junto a instituições internacionais e lutavam para evitar o calote. Nesta mesma época, a Grécia comemorava sua entrada no seleto grupo de países que faziam parte da Comunidade Européia - a futura União Européia.


"Hoje, a Grécia é um país latino-americano dos anos 80", diz Carlos Eduardo Soares Gonçalves, professor de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). As questões que no passado tão claramente separavam os países desenvolvidos dos emergentes agora se atenuam. Assim como o Brasil e o México dos anos 80, a Grécia financiou seus gastos emitindo dívida, perdeu o controle de suas contas e hoje se vê em vias de quebrar.

"As crises externas tiveram grande impacto nesses países porque eles estavam com suas contas desequilibradas. Na América Latina, os dois choques do petróleo nos anos 70, seguidos do aumento dos juros nos Estados Unidos para combater a inflação, fragilizaram ainda mais as economias da região. No caso da Grécia e de outros países menos sólidos da Europa, a crise global que eclodiu em 2007 foi o fator que colocou as economias em xeque", explica Gonçalves.


Enquanto se acusava a Argentina de maquiar dados sobre sua economia, descobriu-se que o mesmo artifício era utilizado pelo governo grego. De um dia para outro, a Grécia se viu com um déficit fiscal de 12,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB), percentual muito acima dos 5% estimados.


Diferentemente dos países latino-americanos, entretanto, a Grécia poderá vir a contar com ajuda de seus vizinhos e colegas de bloco econômico. "As soluções para os problemas do país vão além de suas fronteiras. É uma questão que envolve toda a União Européia", diz Gonçalves.


Ao que tudo indica, será necessário um tempo razoável para que todos os ajustes sejam feitos. E, se há algo que os anos de experiência da América Latina podem ensinar para a Grécia e toda a Europa é que é muito mais doloroso cortar gastos em tempo de crise do que fazê-lo antes da turbulência, nos anos de bonança.

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O maior castigo do ser humano é a cegueira a que se submete pela falta de tato em relação ao potencial que tem para promover as mudanças necessárias ao sucesso na competição acirrada da vida moderna, optando por ser insípido e inodoro às oportunidades ao não ouvir a voz do seu coração.